O Céu é o limite!
- Patricia Neto
- 15 de jul. de 2020
- 3 min de leitura
Sonhar até onde?
O quanto você consegue permitir que seu time extravase seus sonhos e desejos de mudança e crescimento pessoal?
Até onde você consegue se abrir para reconhecer o que é realmente importante para o profissional que trabalha com você?
Ouvir dele o que realmente importa para sua vida pessoal e profissional? Até porque, pessoal e profissional “são” uma única pessoa!
Sim, sonhos. Aquilo que pensam que talvez nunca conseguirão alcançar. Aí está o segredo.
Lidamos com pessoas que tem desejos, almejam se desenvolver (às vezes nem se dão conta disso!), querem crescer profissionalmente, tem alegrias e tristezas, conquistas e frustrações, histórias de vida para contar., traumas e perdas.
Eventualmente nem sabem o que fazer de sua vida profissional. Isso aconteceu comigo… Não tive tanta orientação de familiares próximos pois eram de áreas profissionais muito diferentes mas eu tive um tio avô médico e, de certa forma, me inspirei nele.
Era o antigo e tão atual médico generalista, dono de hospital, tinha sido deputado federal do Espirito Santo e foi exilado na Revolução de 1964. Era exigente, seguro, olhar firme, distante mas acolhedor.
Sempre trabalhei em hospitais privados onde o nível de exigência era alto para que o atendimento fosse o melhor possível e o paciente ficasse satisfeito.
Quando fui trabalhar na Emergência de um outro hospital muito famoso na época, comecei a perceber a dificuldade e me questionava sobre como fazer para manter e fidelizar médicos plantonistas na Emergência, especialização reconhecida pela Associação Médica Brasileira há menos de 5 anos. O hospital era lindo, as equipes muito bem treinadas, o movimento não era tão grande, tínhamos contato com os melhores médicos do Rio de Janeiro, tecnologia de ponta, mas muitos plantonistas não queiram trabalhar lá.
Era uma dificuldade conseguir plantonista! Mais ainda plantonista que se fidelizasse ao Serviço.
Emergência era “bico”. Graduar-se sempre foi sinônimo de “pegar um plantão na Emergência”.
O indivíduo iniciava o trabalho e logo demonstrava desejo de ir embora seja porque iniciaria residência em sua área de escolha ou porque havia conseguido um plantão em área afim ao que desejava como especialidade.
Outras vezes achavam uma chatice estar num hospital com tantas exigências (sempre trabalhei em hospital privado) ou não se identificavam com o fato de terem que reportar as intercorrências dos pacientes aos seus médicos assistentes já que são médicos suficientemente bons!
Por que ter que reportar qualquer febre a outro colega de profissão? E era necessário explicar que aquele paciente já tinha um vínculo com o médico X e que isso era muito importante inclusive para a recuperação do paciente; que o fato dele reportar a intercorrência ao médico de confiança do paciente não significava que ele era um médico ruim ou inexperiente (apesar de muitas vezes ser!). Mas eu tentava vencer as resistências com todas as minhas forças. Afinal, sob meu ponto de vista, trabalhar na Emergência era incrível! E eu precisava encontrar uma forma de fidelizar estes profissionais.
E ainda há o agravante de que , sendo a Emergência a porta de entrada para o recém formado, era claro que não havia um interesse genuíno de estar ali senão o fato de precisar ter um ganho financeiro para sua manutençõo depois de um curso de 6 anos ainda dependente de seus pais.
E, como coordenadora de Serviço de Emergência, comecei a identificar nos profissionais quais eram suas reais e genuínas motivações para sua vida profissional e não para somente estar naquela Emergência. E assim comecei a conseguir reter os profissionais ou melhor, encontrei um caminho para que o profissional tivesse interesse em não somente permanecer trabalhando naquele Serviço de Emergência como também de que ele agregasse valor ao serviço e ao time.
Não, não foi um passe de mágica mas um investimento profundo na relação interpessoal como cerne da vida profissional.
O quanto você é capaz de lidar com questionamentos, sugestões de melhorias que você como líder não havia pensado e pensamentos disruptivos?
Como você se sente quando chega uma crítica aos fantásticos planos que você havia feito para o próximo semestre?
Você abre para discussão? Faz tentativas para os incorporar? (Mesmo que não aconteça)
Traz para mesa ou simplesmente diz ao time que não é possível falar sobre isso agora pois seu diretor falou que só tocaremos neste assunto no próximo planejamento estratégico?
O autoconhecimento te leva a possibilidades realmente incríveis. E abre caminhos de confiança para os que estão no seu time acreditem em si e se descubram também!
Te permite se colocar em riscos calculados que promovem mudanças e melhorias incríveis.
Nem sempre será algo tão sistematizado. Mas será sempre uma viagem!




Comentários